Rua Promissão, nº 448 – Bairro Rebouças – Lins (SP)
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Soldadinhos de Chuva


Chovia torrencialmente. Da varanda da minha casa eu observava a chuva que caia. Senti-me criança. Os pingos ao caírem no asfalto, pareciam se transformar em imaginários soldadinhos de chuva marchando com muita energia rumo ás guias e sarjetas, numa seqüência incrível de movimentos.
A criança que existe em mim os acompanhava atentamente com o olhar até se unirem a um batalhão compacto, se transformando em enxurrada a deslizarem pelas galerias em direção ao grande rio.
Nesse longo trajeto de obediência ao rumo traçado pelos declives do solo, muitas coisas com certeza aconteceram: atropelaram indigentes que se encontravam na via pública, inundaram casas e barracos à beira do caminho, derrubaram muros, causaram erosão aos terrenos desprotegidos.
Por outro lado, fertilizaram árvores e jardins floridos, revitalizaram plantações rurais, aumentaram o espaço dedicado à sobrevivência dos animais aquáticos, além de interferirem nas condições climáticas, causando benefícios a muitos seres viventes. E assim, depois de cumpridas suas tarefas retornariam ao lugar de onde vieram... às nuvens, através do vapor provocado pela alta temperatura solar.
Assim é a natureza e a nossa vida, que é parte integrante dela. Chegamos aqui no planeta terra com muitas aspirações e incertezas, com tarefas específicas em meio ao campo de batalha da vida, que poderá ser a nossa redenção, e com um potencial de energia suficiente para superarmos as dificuldades encontradas na luta do cotidiano, porque o fardo nunca será superior às nossas forças... Assim disse o Mestre.
Em nosso tempo de caminhada pela vida, muitas vezes atropelamos nossos irmãos de estrada com nosso orgulho e egoísmo, tantas outras vezes nos desequilibramos, caímos e nos levantamos, porque somos ainda inexperientes recrutas no quartel da eternidade.
Precisamos nos esforçar para deixarmos também as margens do caminho, muitas ações e ensinamentos bons, exemplos morais, de perseverança e amor, que com certeza irão se transformar em alimentos da alma a suprir os corações de muitos que compartilham nossa jornada.
A Doutrina Espírita nos lembra que o auto-esclarecimento, a reforma ìntima, que nos leva a revermos e melhorarmos nosso comportamento moral, na área das emoções e dos instintos, e as experiências vividas, constituem a bússola que irá nos conduzir a um rio de felicidade e paz.
Algum dia teremos que retornar à pátria eterna, lugar de onde viemos, e que seja com um saldo positivo a favor de nossas boas ações, porque podemos até nos considerarmos soldadinhos de Deus a caminho da luz.

Nelson Nascimento
Lins - SP

Fragmentos de luz

                               A tormenta da geada
                               Castigando os cafezais,
                               É igual ódio sem freio
                               Que castiga quem o traz.
                                               Na vida pura da gente
                                               Quanto bem que a gente faz,
                                               Azedume no trabalho
                                               É pra quem caminha atrás.
                               Tenha cuidado na rua
                               Automóvel vai e vem,
                               Se cochilar perde a vida 
                               Vai acordar no Além.
                                                Cacau maduro no pé
                                                O vento não joga ao chão,
                                                A luz que vem da cabeça
                                                Ilumina o coração.

                                                                      (Um amigo Espiritual).


(Psicografado por: Nelson Nascimento em reunião dos trabalhadores da casa dos Espíritas em 27/ 09/2017).                                 

Ao seu alcance


Ele caminhava lentamente pela calçada naquele dia ensolarado.
Suas vestes esfarrapadas, cabelo e barba crescidos, pés descalços, barriga vazia, destino incerto, semblante sofrido.
O olhar sereno deixando transparecer a desilusão, a fixar os transeuntes que se aproximavam e por ele passavam, como se estivesse à procura de algo que ainda não encontrara.
Seu nome?  -Talvez não interesse a muitos.
Suas idéias?  -Com certeza serão diferentes das nossas.
Sua idade?  -Talvez metade do que imaginamos.
Seus familiares?  -Talvez não saiba dizer por onde andam.
Em condições lastimáveis, iguais a estes caminheiros que passam por nós despercebidos em direção ao objetivo maior, que também é o nosso, existem muitos vitimados pela própria sorte.
Todos nós sabemos da necessidade de estendermos nossas mãos amigas a esses irmãos, através do auxilio de qualquer espécie, não como favor, mas sim como nossa obrigação perante a Divindade, em agradecimento por tudo de bom que temos recebido.
Visite um albergue noturno, um asilo, um hospital, converse com alguns destes que lá se abrigam, ou mesmo na rua; Deixe que lhes contem sobre suas vidas, seus passados; As alegrias que já tiveram, ou mesmo suas desventuras. Eles se sentirão valorizados com sua atenção, se sentirão gente, e que ainda têm amigos. Uma simples visita pode proporcionar a esses irmãos, um maior refazimento que qualquer medicação.  
“OUVIR”, e dedicar o conforto da palavra amiga, aos menos afortunados, é uma caridade ao alcance de todos.
Nelson Nascimento
Lins - SP

O Semblante da Aflição


Eles estão aí, entre nós, quando não nós próprios, e podemos observá-los todos os dias caminhando pelas ruas, cuidando de seus afazeres, dando respostas às suas responsabilidades pela incumbência que receberam de fazer o melhor. São pessoas comuns, transportando o fardo escolhido para dar suprimento às suas próprias necessidades evolutivas. São estes e também tantos outros indivíduos entregues à ociosidade ou à desarmonia psíquica, que enfrentam os dissabores de tão angustioso sintoma da aflição.
As aflições fazem parte do estágio de purificação em que nos encontramos. Essas situações que deparamos pelo caminho, e que nos atinge em certas ocasiões nos causando sofrimentos se dá em virtude das nossas imperfeições. Os motivos são diversos: As grandes perdas, a saúde frágil, a ingratidão, o abandono, a solidão, o remorso, a desilusão, uma desavença, um desgosto, problemas familiares, insatisfação profissional, etc.
As vezes é possível identificarmos os semelhantes que passam por estes infortúnios muitas vezes ocultos por aqueles cuja personalidade não permite que sejam exteriorizados, mas que são denunciados pelos semblantes transtornados que carregam, podendo assim ser percebido pela expressão facial que revela a ausência da alegria e da satisfação de viver.
Quando a vida nos surpreende com provações inesperadas, é preciso compreender que as situações que nos chegam têm sempre uma finalidade útil, considerando-se a necessidade do aprimoramento que nos conduzirá a evolução espiritual, exigindo de nos o aperfeiçoamento das qualidades ainda carentes de entendimento e assimilação, e quando nos deixam erosões desastrosas é o momento de buscarmos a serenidade através da resignação e da fé que estimula à busca de soluções, e ao exercício da paciência.
A solidariedade é um caminho para se alcançar a superação nessas fases em que todos nós precisamos nos ajudar reciprocamente: Ao aflito, a necessidade da fé e da humildade que o coloca em condições de igualdade com outros irmãos, abrindo as portas do coração e fechando as porteiras do orgulho, induzindo-o à busca e a aceitação da ajuda necessária à superação. Ao socorrista solidário, o amor e a abnegação no exercício do auxilio caridoso da atenção, da palavra orientadora e confortadora, e da ação providencial muitas vezes necessária.
A meu ver a vivência terrena é um período de aquisições valiosas na área dos sentimentos, cujas aflições servem como corrigenda, mas também como parâmetro para avaliação das verdadeiras condições de equilíbrio do espírito, de acordo com o seu potencial de superação.
(Inspirado: No Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap - V)

Nelson Nascimento
e-mail: nelson.nascimento1@yahoo.com.br
Lins-SP


"Os pais ... que também são filhos"


No mês de agosto comemora-se com muita alegria, o dia dos pais.
Nesse dia, recebemos presentes, carinhos e demonstrações de afeto de nossos filhos e repassamos estas mesmas atenções aos nossos progenitores.
Ontem, recebemos os melhores cuidados de nossos pais. Hoje, dedicamos nossa atenção aos nossos filhos e nos obrigamos a cuidar de nossos pais. Amanhã, quando o peso da idade, ou as dificuldades orgânicas nos alcançar, precisaremos contar com o devotamento maior e cuidados de nossos filhos.
É uma roda-viva de compromissos e dedicação que temos para com a família, a fim de que possa existir o congraçamento, alicerçado em uma convivência amorosa e sadia. É a necessidade de evolução que nos leva a passar por este caminho bendito de doação recíproca, porque as almas se reúnem numa mesma família, e trabalham juntas, para o seu progresso comum. (EV - Cap. IV - 18).
Como pais, retemos a autoridade e a responsabilidade do orientador, e como filhos sujeitamo-nos à obediência e à disciplina. Nessa troca de papéis, com certeza estamos acertando nossas contas, ou seja: equilibrando nossos débitos e créditos de encarnações passadas, fortalecendo os laços de família e suportando nossas atuais provações.
Assim sendo, devemos nos esforçar para cumprirmos bem nossas obrigações junto à família, e assim conseguirmos galgar com mais confiança os degraus da íngreme escada evolutiva da vida.
O presente que recebemos, e o que damos, deverá simbolizar esse dia com lembranças do mútuo compromisso de dedicação, de amor, atenção e proteção, obedecendo às leis naturais da vida, aplicadas entre pais e filhos com a finalidade de atingirem o progresso espiritual no campo da fraternidade, da reconciliação, da harmonia e dos resgates.
Os beijos e abraços trocados deverão ensejar o perdão da intolerância, da rebeldia, da ingratidão que é um dos frutos mais imediatos do egoísmo (EV - Cap. XIV - 9), das marcas deixadas pelas enérgicas atitudes tomadas, acertadas ou não, em horas de difíceis decisões.
Considerando os diversos níveis evolutivos das almas que habitam o planeta terra, devemos atentar também para a ponderação e flexibilidade de nossas atitudes, porque em certas ocasiões temos muito a aprender com os nossos filhos, que de certa forma devem-nos obediência. Todos viemos do espaço para progredir, e os mais adiantados devem procurar fazer progredir os menos adiantados. (EV - Cap. IV - 18)
“O amor exteriorizado através das ações em beneficio de alguém é o melhor presente que podemos oferecer.”

OBS: Ev-iv-18 (Evangelho Seg. Espiritismo cap. Iv-18)
         Ev-xiv-9 (Evangelho Seg. Espiritismo cap.xiv-9 )
Nelson Nascimento
E-mail: nelson.nascimento1@yahoo.com.br
Lins-SP

O retrato


(Reflexão)
O antigo retrato estava ali, exposto para a apreciação dos visitantes. Trazia lembranças dos tempos de criança, onde mostrava mais uma vez todos os componentes de uma mesma família reunidos. E lá estava o meu amigo, nos seus poucos anos de idade, posando graciosamente entre seus irmãos. A vida começava indefinida para todos, pois assim é que acontece com os seres humanos: caminhos incertos, futuro indefinido, destino a ser construído, o caráter a ser burilado através dos tropeços e vitórias que fazem parte das experiências terrenas.
A reflexão nos leva a pensar na influência direta e natural exercida nas crianças, pelo comportamento dos responsáveis pela sua formação moral, intelectual, e até religiosa, melhorando ou deteriorando o caráter e a personalidade de seus tutelados. As gerações se sucedem renovando comportamentos, conceitos morais, e quebrando tabus. Hoje, na necessidade que temos de analisarmos os acontecimentos atuais em relação ao comportamento social, vemos as novas gerações não só galgando os degraus do sucesso e do brilhantismo em áreas importantes como da ciência, da tecnologia, etc.; Também, por outro lado podemos observar o caos social traduzido (parcialmente) pela exploração de menores, pela corrupção, pelo tráfego de seres humanos, pela violência e vícios que crescem a cada dia, pelo trabalho escravo que ainda existe... E até vemos crianças trocando fraldas nos seus próprios filhos. Todas essas aflições a refletir na face de muitos adolescentes e adultos que não tiveram a oportunidade de poder contar com uma orientação sadia e moralizada, e muitos tendo sido criados sem ter o mínimo de afetividade da parte daqueles que deveriam ser seus educadores, e que por sua vez também não as tiveram... Ou não as assimilaram; (Sem generalizar); Também outros por já trazerem de outras vidas o caráter torturado por viciações, abusos, e imoralidades ainda não erradicadas da consciência. Por esses e outros motivos, hoje fazem parte deste lado triste do retrato da sociedade. Sabemos que ninguém pode ensinar a alguém aquilo que não aprendeu, e que estamos habitando um planeta de provações e expiações, e assim sendo, precisamos entender que para a depuração, a alma humana necessita passar por processos regenerativos cujas necessidades de burilamento encontram-se registradas na bagagem transportada pela consciência individual ao longo da jornada evolutiva de cada um. Portanto, não estamos em condições de julgar acontecimentos que se encontram sob os desígnios do criador, mas sim, de aprender com as observações das experiências vividas pelos semelhantes que jornadeiam conosco e com nossas próprias vivências.
A meu ver, a sociedade terá que absorver o lixo moral que ela própria gerar, através de sacrifícios e sofrimentos de seus próprios participantes assim como a natureza absorve ao longo dos anos os detritos industriais, até encontrar as soluções adequadas.
O tempo nos dirá quando será a próxima parada do carrossel das gerações para restauração dos maus conceitos assimilados ao longo dos milênios... Mas uma coisa a Doutrina Espírita nos esclarece: Que de acordo com a lei Natural de Ação e Reação, que rege todos os elementos que compõem o universo, agindo como mecanismo da evolução espiritual, “Não há efeito sem causa”. Sempre que a causa é fundamentada no bem, o efeito é bom; no entanto, se fundamentada no mal, o efeito é maléfico, levando-se em conta que “o bem é essência do Criador e o mal é essência da criatura” (LE-Q.1009); Portanto, só Deus sabe as conseqüências boas ou más que haverá de ter o atual comportamento social.

Nelson Nascimento
Email: nelson.nascimento1@yahoo.com.br
Lins-SP

A critica e seus adjetivos


É sempre oportuno analisarmos as diversas situações que presenciamos no cotidiano e observações que fazemos dos acontecimentos ao nosso redor, sempre com o objetivo do aperfeiçoamento individual, comparando procedimentos adotados, com aprendizado. Assim sendo a crítica tem sido observada como interessante hábito do ser humano que precisa ser analisada:

 Quando maldosa a crítica pode ser identificada de varias formas, além do conteúdo das palavras, por exemplo: Pela entonação da voz: enérgica demonstrando prepotência, suposta superioridade, falsa modéstia, e até um sentimento invejoso, etc. Também pelo sarcasmo com que é proferida: Acompanhada pelo sorriso irônico, pela mímica, pela expressão facial (aquela cara de desprezo), por determinados gestos de deboche, etc. atitudes que só fazem depreciar o criticado. Outras vezes vem acompanhada por certos adjetivos denegrindo a imagem da pessoa, por exemplo: É um chato de galocha, é um louco varrido, acha que tem um rei na barriga, etc.

Podemos observar também a existência da critica maliciosa, quando feita especificamente com aquele sentimento depreciativo de deboche, considerada como brincadeira (de mau gosto), e que muitas vezes gera até apelido ao criticado, por exemplo: Quando se critica a fisionomia, o porte físico, ou a personalidade de alguém.

São comportamentos da parte do crítico, que não condiz com os ensinamentos edificantes que proporcionam a elevação do espírito, como a humildade e a caridade para com o semelhante, e que podemos observar tais comportamentos como sendo a exemplificação das muitas imperfeições que o ser humano ainda é portador. Saber identificar nos outros atitudes desagradáveis já é um bom começo para melhorarmos os nossos próprios procedimentos, se passarmos a aplicar em nós as corrigendas que ainda necessitamos.

A meu ver, assim como o bem que se faça, por menor que seja tem um grande valor em nossa evolução espiritual, nos ajudando e nos projetando na rota da purificação dos sentimentos... A crítica destrutiva de qualquer nível demonstra um estágio de estagnação da personalidade do crítico, por se tratar da exteriorização da irresponsabilidade, do orgulho, da maldade, e da falta de caridade para com o semelhante.

Há de se ponderar ainda sobre a intenção do crítico, se não tem a intenção de denegrir ou magoar, pode até ter alguma atenuante no seu procedimento, mas é preciso considerar que nunca se sabe a proporção do impacto causado no semelhante, que nem sempre recebe de maneira amigável, embora muitas vezes deixe transparecer isso até por educação, mas que pode carregar consigo a mágoa camuflada por muito tempo.

Por outro lado, a crítica quando “construtiva”, deve ser feita, mas sempre com moderação, com uma intenção útil, e nunca no sentido de denegrir ou prejudicar, como nos ensina o Evangelho Segundo o Espiritismo (Cap. X - 19), porque quando bem intencionada a crítica traz sempre orientação e esclarecimento, acompanhada do desejo  de progresso para o próximo.

Nelson Nascimento
e-mail: nelson.nascimento1@yahoo.com.br

O Passaporte


(Reflexão)

Embalado pelas meditações sobre a vivência terrena, ele adormeceu. E viajando pelas veredas do sono, o carrossel confortável do relaxamento físico lhe permitia vislumbrar caminhos diferentes dos que estava acostumado a trilhar. Tudo estava bem, a visualização que mentalizava lhe mostrava coisas prazerosas do conforto, do bem estar que a vida lhe proporcionava. Trazia consigo a satisfação de ser aquilo que sempre pretendera ser. Estava tranquilo consigo mesmo, tudo que realizara a seu ver estava correto, se vangloriava por isto.

As coisas aconteciam como inexplicável e maravilhoso deslumbramento, mas as condições de vivência do momento lhe deixavam confuso, incerto, até que a situação lhe colocou em questionamento diante de vigoroso e educado recepcionista, que lhe perguntou: - Seu passaporte meu irmão? - Que passaporte é esse se não se lembrava de embarcar em nenhum veiculo com destino certo ou mesmo ignorado? Foi então que o recepcionista lhe informou: - Procure na bagagem da sua consciência, e encontrará os registros indeléveis arquivados com carinho, e que lhe darão a devida autorização para a livre locomoção às estâncias a que tiveres o direito de transitar e viver. Mas suas bolsas estavam cheias, a fortuna lhe sorria, seus cofres com muitas joias, seu prestigio social era incontestável... Indignado e aborrecido com a ousadia de lhe pedirem um passaporte, questionou com voz arrogante: - Porque me pedes um passaporte? Foi quando a resposta lhe chegou através de um simples olhar meigo e carinhoso do recepcionista... Então ele viu-se despojado de tudo, até mesmo de suas vestes valiosas que gostava de ostentar. Sua memória retrocedia incontrolavelmente, com pensamentos e visualizações a principio confusas, mas depois com incrível realidade: fora injusto com os semelhantes em muitas situações, a ascendência material que tivera foi alicerçada em prejuízo de muitas vítimas inofensivas e necessitadas, fora cruel, irresponsável, desonesto, e bajulador daqueles que compartilhavam consigo a mesma ganância e sede de poder. Assustado indagou: - Onde minha fortuna, onde meus defensores, onde aqueles que promovi para que me ajudassem? Tudo em vão... Estava só diante de tantos questionamentos. Então o recepcionista lhe informou: - A leitura de seu passaporte lhe permite entrada e estadia no setor de recuperação, para que possa compreender os desígnios Divinos reservados a todos que necessitam do burilamento temporário e preparatório para novas etapas de vivências, reparações, e provações adequadas, através de ásperas condições que permitam o aperfeiçoamento do espírito. A partir dali ele prosseguiu caminhando desiludido pela paisagem ressequida, solo estéril, com atmosfera pesada e sombria, e o ar sufocante a dificultar-lhe a respiração... Em direção à comunidade que lhe acolheria até a próxima etapa de experiências terrenas.

Foi então, que ele pôde perceber a sua nova realidade: Estava em outro plano de vida. Fôra surpreendido quando tudo lhe parecia estar de acordo com os seus desejos. A atual circunstância mostrava-lhe a correspondência aos seus verdadeiros sentimentos, que alimentava durante a vida terrena. Nesse momento bateu-lhe à porta da consciência... O desespero ao pensar no recomeço, talvez mais difícil que a oportunidade de progresso que não soubera aproveitar durante a vida que lhe foi concedida.

A doutrina espírita sempre nos alerta de que as boas intenções, as boas ações, a pratica da caridade, e a retidão de caráter é que vai nos permitir situar nas regiões espirituais que aspiramos alcançar.


Nelson Nascimento
e-mail: nelson.nascimento1@yahoo.com.br



Nossos filhos


Certo dia,quando eu voltava do trabalho, já ao cair da noite, passava pelo calçadão quase deserto,quando vi uma adolescente com uma mochila nas costas, agasalho tipo jaqueta, como estas estudantes em dia de viagem. Estava a falar no telefone público, e pelo tom alto de sua voz, dava a entender que era interurbano. Então pude ouvir a seguinte frase: Cadê o pai? Cadê o pai? Esta frase tão comum que ouvimos quase que diariamente em nosso próprio lar, partindo daquela jovem, naquele momento em que provavelmente se encontrava longe de casa e talvez dependendo de uma orientação qualquer e às vezes até de recursos financeiros do pai para se conduzir dali em diante, levou-me a refletir sobre a importância da responsabilidade e influência dos pais na formação moral, intelectual e religiosa de seus filhos.
Sabemos das dificuldades e insegurança dos jovens e também da preocupação dos pais quando se tem que estudar e morar fora de casa, por exemplo, situação em que ficam sem aquele contato mais direto com a família, quando não se pode acompanhar mais de perto suas atividades no meio social em que passarão a conviver. Sabemos também, que cada filho é um espírito diferente, com uma rota diferente no caminho da evolução, com suas virtudes e seus pontos vulneráveis diferentes uns dos outros, com divergências no comportamento, nas necessidades afetivas, no grau de compreensão, no temperamento emocional, na inteligência, etc. Isso nos faz sentir a necessidade de olharmos para nossos filhos de maneira carinhosa, procurando identificar em cada um deles as suas necessidades, tanto na parte material como espiritual, e assim procurarmos orientá-los da maneira que acharmos a mais correta, e principalmente pelo exemplo que lhes passamos através de nossos procedimentos, nossas atitudes, nossas palavras ou nosso comportamento social.
Devemos enquanto são crianças plantar em seus corações a sementinha da fé religiosa, do amor ao próximo, alertá-los para a necessidade da prece, do amparo aos mais necessitados através dos variados caminhos da caridade, para que no futuro, quando já se sentirem donos de si mesmos, estas sementinhas possam germinar como no terreno fértil previamente preparado pelo agricultor. Só assim encontrarão a assistência de que precisam para manterem o equilíbrio em seus momentos de dificuldades tão frequentes em nosso dia-a-dia.
Os ensinamentos espíritas nos dizem que nos primeiros anos de vida de nossos filhos está a grande oportunidade que temos para edificar a plataforma na qual se sustentarão durante toda sua vida.
Ao chegar em casa, encontrei na sala, meu filho que assistia a um programa de esportes na televisão, e que me recebeu sorridente, dizendo: Olá paizão! Está com cara de preocupação ou de cansaço do trabalho? Então, sorrindo eu lhe respondi: Nada disso filho, na verdade, estou muito contente e agradecido a Deus, por ter vocês e o meu trabalho.
Nelson Nascimento
e-mail: nelson.nascimento1@yahoo.com.br

O náufrago

(Reflexão)
O barco naufragara sem que todos conseguissem apanhar suas bóias de salvamento.
Um cidadão que ficara sem ela estava a flutuar bem próximo de uma e com tranqüilidade esperava o momento oportuno para alcançá-la diante dos agitados movimentos de vai-e-vem das águas.
Sabia flutuar muito bem e aguardava na certeza de que a qualquer momento pudesse agarrá-la.
Com o balanço do mar a bóia se locomovia e ele também, mantendo sempre a mesma distância que o impossibilitava de pegá-la.
Os minutos se passaram, o cansaço já o abalava, e assim, após algum tempo, a bóia foi se distanciando, a margem que não longe se via...desaparecendo.
Alcançou ele a corrente marítima, que também levou para mais longe o instrumento que lhe dava esperanças, arrastando-o com violência para as profundezas depois de esgotadas suas energias físicas.
Outro náufrago, despejado pela embarcação nas mesmas condições, apavorado pela turbulência jamais vista por ele, debatia-se desesperado sem visualizar objeto algum em que pudesse se segurar e dar-lhe esperanças de salvamento.
Respirava fundo, toda vez que a água se afastava de suas narinas, e desprendendo esforço inusitado, começou a nadar com braçadas vigorosas superando as próprias condições físicas.
Depois de algum tempo, quase inconsciente, sentiu a seus pés a acariciante massagem da areia branca do leito do oceano. Afirmou-se, o andar titubeante, e quase sem forças alcançou a praia deserta, e lançou-se ao solo para merecido descanso.
Estabelecendo certa comparação entre o desejo de sobrevivência do naufrago e os anseios da alma, nos leva a meditar sobre a salvação tão almejada, que entendo como sendo a conquista de uma boa posição na escala evolutiva espiritual, e, as condições para alcançá-la.
O salva vidas representado pelos alertas de comportamento moral e religioso que nos aparece a todo instante, e que nos faz acreditar às vezes, que não é para nós, quando nos colocamos em posição de tranqüilidade e suposta sabedoria, pode fugir das nossas mãos em virtude da nossa passividade e inércia, nos arrastando para o desconforto e a desesperança.
O vigor que nos sustenta, que nos dá chance de vitória, e que independe de nossa força física, e sim do nosso preparo interior, composto de:  responsabilidade, bom caráter, sentimento de solidariedade, equilíbrio, fé, capacidade de perdoar, e disposição para a ação no bem; precisa ser ativado, ou seja: exercitado, para nos impulsionar em direção ao objetivo que nos convém alcançar.
A tábua de salvação chegará até nós pelos nossos próprios esforços em conquistar as virtudes necessárias para merecê-la, e nunca pelo bel prazer das ondas de influências bajuladoras e promessas nas quais muitas vezes flutuamos no mar da vida.

Nelson Nascimento


Nosso dia


Toda manhã é novo dia com novas oportunidades de aprendizado:
A paciência o ajudará a superar obstáculos considerados intransponíveis.
Os objetivos da vida sugerem reflexões importantes:
Aproveite cada minuto para reflexões relativas a tomadas de decisões.
Atribulações o induz a reservar alguns minutos para pensar:
O futuro promissor é alvo a ser alcançado com a capacitação e o esforço próprio.
Aproveite hoje:
E renda-se á disposição de perdoar.
Dê a você mesmo um dia de trégua:
Analise as críticas dos supostos inimigos.
Surpreenda-se com sua atitude:
Diga bom dia a um desafeto seu.
Sempre é tempo de acelerar o seu progresso espiritual:
Faça uma boa ação.
O dia de hoje não é ontem:
Melhore o seu comportamento junto ao semelhante.
Neste momento você tem condições de ajudar:
Amanhã só Deus sabe.
Sempre é dia de renovação:
Faça algo de bom diferente do que você já fez.
O sol aquece todos os seus dias:
Aqueça o coração de alguém com palavras de conforto.
Deixe a vida te levar para a trilha da felicidade:
Com responsabilidade, dignidade, e amor.

Nelson Nascimento

Daqui a cem anos


Reflexão
Durante minha caminhada costumeira, estando mais descontraído e um pouco desligado das atribuições da rotina diária, dando asas aos meus pensamentos, passei a analisar a vida a partir do seguinte aspecto:
- Já que somos criaturas cujo espírito é imortal, onde estaremos daqui a cem anos? Que lembranças teremos dos tempos de agora? Que terá sido dos amigos, familiares e parentes que compartilham nosso dia-a-dia de hoje? Estarão conosco? E aqueles que hoje consideramos “a pedra em nosso sapato”, onde estarão?
Não temos dúvidas de que o ensinamento que diz que tudo que se planta, se colhe, é uma realidade, e também que os bens materiais que conseguimos acumular (imóveis, jóias, dinheiro, etc.) têm importância significativa, mas apenas para o nosso usufruto aqui no planeta; e que a riqueza que realmente possuímos e que levamos conosco para o novo plano na eternidade, são as qualidades que temos, boas ou más.
Assim sendo, nos convém que aperfeiçoemos as boas qualidades, os valores morais como a humildade, a brandura, a benevolência, a indulgência, a honestidade, o amor ao próximo, etc. e também que comecemos a entender essa necessidade do desapego aos bens materiais, que não significa jogar tudo pelos ares coisas que conseguimos com sacrifícios, mas sim, que são coisas que temos como um empréstimo do criador e que deverão ficar para o usufruto das novas gerações, que não devemos levar conosco preocupações em relação ao destino desses bens terrenos que deixamos. Todos estes valores constituem a condição propulsora da elevação da alma.
Aprendemos também que, na hora da prestação de contas, que irá apurar nosso saldo positivo ou negativo diante da vida, não nos será perguntado se aqui na terra fomos “diplomatas ou operários”, se fomos ricos ou pobres, porque todos nós temos provações específicas nas diversas áreas de atividades, que fazem parte da jornada evolutiva de cada um... Mas, sim, nos será perguntado o que fizemos de bom, no meio em que fomos colocados para viver.
Se assim for, estaremos bem se tivermos aplicado nosso tempo no trabalho honesto, em obras e ações positivas, se nos melhoramos moralmente... E teremos em nossa companhia no novo plano de vida as pessoas que têm afinidade conosco, ou seja, aqueles imbuídos das mesmas virtudes, quer sejam parentes, amigos ou desconhecidos, porque somos espíritos individualizados.
Caso contrário, estaremos em meio a pessoas que comungam com nossas idéias levianas, com nosso instinto agressivo, com nosso orgulho, egoísmo, inveja, etc., porque pela lógica, anjos e demônios não devem compartilhar o mesmo ambiente.
Assim é que a doutrina espírita nos esclarece, que vamos poder estar em boa ou má condição, de acordo com a bagagem que levarmos na travessia para a vida maior.
Conclui-se então que “daqui a cem anos”, estaremos no lugar que reservarmos para nós hoje. Portanto, agora é a hora de analisarmos nosso comportamento, nossos atos, e prepararmos nosso lugar para o futuro.
Pense nisso!
Nelson Nascimento
e-mail: nelson.nascimento1@yahoo.com.br

A autoagressão pelo mau costume

(Ponto de Vista)
Nossas vidas estão sempre permeadas de atitudes que nem sempre são benéficas ao nosso bem estar. Algumas delas muitas vezes são tomadas mesmo conscientes de seus efeitos e reflexos prejudiciais, e tantas outras vezes por ignorância educacional.
O mau costume como sabemos é aquele procedimento habitual que seja considerado nocivo ao organismo ou contrário à virtude e ao bem comum, inconveniente ao meio social, desagradável, que nos expõe a situações danosas á saúde, ou à imoralidade. Existem maus costumes que não chegam a nos agredir fisicamente, mas que causa constrangimentos comumente considerados como falta de educação adequada.
Podemos considerar agressivo aquele mau costume que de certa forma seja prejudicial tanto ao físico quanto à alma. As agressões orgânicas (ou físicas) podem ser provocadas por: vícios diversos, alimentação imprópria e descontrolada, desregramentos que comprometa a saúde, etc. O que agride a alma dificultando a sua trajetória evolutiva são os hábitos nocivos que levamos conosco para a eternidade, tais como: o ódio, a mágoa, o ressentimento, a inveja, o orgulho, o egoísmo, a avareza, a maldade, etc. que são imperfeições que nos situam em níveis de sintonias espirituais inferiores, e que também as considero como maus costumes em virtude da constância com que algumas pessoas alimentam estes sentimentos, renovando-os diante de qualquer circunstância que lhes cause insatisfação e aborrecimento.
Um dos objetivos da doutrina espírita é a orientação do ser humano no sentido de conscientiza-lo e prepará-lo, apresentando justificativas racionais para a eliminação de imperfeições trazidas de épocas remotas em que predominavam em nós os sentimentos e emoções negativas instintivas. Com tais ensinamentos já se pode compreender o porquê das nossas necessidades de mudanças no âmbito do comportamento humano, em que o relacionamento com o semelhante se constitui na ferramenta que nos permite lapidar o nosso próprio caráter. O bem estar do espírito é primordial porque ele é o timoneiro individualizado e imortal que nos conduz através do veiculo físico ao longo da trajetória das diversas reencarnações. É preciso estar ciente de que só evoluímos espiritualmente a medida que formos eliminando as imperfeições, e substituindo-as por virtudes que são as molas propulsoras que nos levam a alcançar a purificação. Enquanto não forem superadas essas necessidades e acertadas as desavenças com os semelhantes, o ser humano estará caminhando em marcha lenta, progredindo na medida do burilamento dessas imperfeições que vão sendo sanadas através das provações e dos resgates de transtornos provocados pelos maus costumes ao longo das existências.
Vale a pena refletir sobre nossas atitudes e tendências atuais, porque delas depende o nosso futuro, e poderemos estar com o nosso proceder caminhando para altos degraus evolutivos, ou para o despenhadeiro tenebroso da desilusão, da estagnação, e do sofrimento. O Evangelho Segundo o Espiritismo nos alerta sobre a necessidade de cuidarmos do “Corpo e da Alma”.

Nelson Nascimento
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