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Conflito existencial: ser pessoa


Assisti, em um programa de televisão, um psicólogo lidando com a problemática entre a mãe e a filha de dezesseis anos.
O comportamento da mãe, revelado por sua postura e por suas palavras era da filha que foi certinha e boazinha, acatando sempre, ou quase sempre, as ordens do pai e da mãe. Também na escola fora das melhores alunas. Em sociedade procurara pautar a sua vida de forma correta, como estabelecido pelos padrões culturais e de mídia da época.
A filha mostrou-se contestadora da mãe e rebelde, relativamente a padrões impostos pela sociedade do que seja a menina “boazinha”, boa filha, estudiosa e obediente à mamãe e ao papai. Usava “piercing”, para contrariar a mãe, vestia-se de forma a ser diferente do padrão usual e dizia que queria ser livre e fazer o que quisesse, desde que não prejudicasse ninguém.
Intermediando o confronto, através dos argumentos, entre mãe e filha, o psicólogo não julgava, através de valores, quem estava certa ou mais certa: a filha ou a mãe.
No decorrer dos diálogos percebi que, em verdade, as duas estavam sofrendo muito.
A mãe no desespero de querer uma filha “certinha” como ela fora.
A filha querendo, com a sua atitude “rebelde” mostrar para a mãe como ela fora omissa, até a sua atual idade, no relacionamento com ela, querendo cumprir apenas o seu ritual papel de mãe.
As duas não estavam querendo “fazer mal” uma a outra, mas não estavam se entendo, por falta de “intimidade”.
Cada uma tinha os seus motivos conscientes e muito mais “inconscientes” da maneira como se comportavam.
Para a mãe o psicólogo procurou mostrar como ela, não intencionalmente, no seu papel formal de mãe não conseguira “enxergar” a filha como uma “pessoa”.
À filha procurou conscientizá-la de que não era apenas sendo “diferente” para agredir a mãe que ela seria reconhecida como uma “pessoa”.
Claro que a questão entre as duas não era de fácil solução, nem de solução pronta.
Cabe, para as duas a terapia psicológica individual e, mesmo a familiar, para que possam sair dos “efeitos emocionais e sentimentais” e atingirem a raiz dos conflitos íntimos vividos por elas e também os conflitos da convivência.
Sob outro ângulo o conhecimento da realidade espiritual também as ajudaria muito, pois também nessas situações encontramos o reflexo de dramas originados em encarnações passadas.
Nestas breves reflexões não vou, nem poderia adentrar a dramaticidade da situação e o caminho para solução do conflito.
Quero, apenas, refletir sobre o ponto que se constituiu fundamental no interessante diálogo e na “terapia brevíssima”: – “ser pessoa”.
Alerta-nos o psicólogo espírita Adenauer Novaes: “Qualquer pessoa tem o direito de ser feliz e de mudar o seu próprio destino sem que para isso tenha que se tornar inconsequente. Tanto a rigidez da personalidade quanto a excessiva liberdade prejudicam sua felicidade...
Tornar-se uma pessoa feliz é uma proposta que deve levar o indivíduo ao encontro de si mesmo, de sua essência mais íntima.
Uma pessoa necessariamente não é alguém que tem títulos, conhecimentos intelectuais, coisas ou goze de certo prestígio. É alguém que sabe ser gente, quando apenas isso é o necessário.
Seja feliz sendo uma pessoa. Apenas uma pessoa. Um ser que está no mundo para viver nele, como alguém que se sente intimamente ligado às pessoas, ao Universo e a Deus.” (Felicidade sem Culpa, Capítulo Psicologia da Pessoa)
Ser pessoa é estar no mundo aqui e agora, mas estar, também, no Universo, no tempo da Eternidade.
Seja pessoa, - você é uma criatura de Deus.

Aylton Paiva

Aylton Paiva é estudioso da Doutrina Espírita para sua aplicação na pessoa e na sociedade (www.ayltonpaiva.blogspot.com).

A Lei da Conservação


Ricardo leia a questão nº 703 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, disse Luciano.
O Grupo Espírita de Estudos Sociais, já estava reunido.
-   “ Com que fim outorgou Deus a todos os seres vivos o instinto de conservação?
- Porque todos têm que concorrer para cumprimento dos desígnios da Providência. Por isso foi que Deus lhes deu a necessidade de viver. Acresce que a vida é necessária ao aperfeiçoamento dos seres. Eles o sentem instintivamente, sem disso se aperceberem.”
- Como vocês observam, - comentou Luciano, - todos os seres vivos possuem o instinto de conservação, qualquer que seja o grau de inteligência, pois a vida é necessária ao aperfeiçoamento dos seres.
O existir e o aperfeiçoar-se através do desenvolvimento de suas potencialidades são forças inerentes aos seres, pois atendem aos reclamos da Lei da Evolução.
- Mas em nome do instinto de conservação teria o ser humano o direito de avançar sobre a natureza, extinguindo com espécies vegetais e animais, como está ocorrendo na atualidade? – questionou Edvaldo.
- Não! De forma alguma, redargüiu Luciano. Observamos na questão 704 da obra que estamos estudando, o seguinte: “Tendo dado ao homem a necessidade de viver, Deus lhe facultou, em todos os tempos, os meios de conseguir e se ele os não encontra, é que não os compreende. Não fora possível que Deus criasse para o homem a necessidade de viver, sem lhe dar os meios de consegui-lo. Essa a razão por que faz que a Terra produza de modo a proporcionar o necessário aos que a habitam, visto que só o necessário é útil. O supérfluo nunca o é.”
A Terra produz de modo a proporcionar o necessário aos que a habitam não há, pois necessidade de destruir a natureza. O que encontramos aí é a ganância daqueles que colocam os seus interesses pessoais, os seus lucros acima do bem da coletividade e do próprio equilíbrio planetário.
- É mesmo, adiantou Narcisa, - Nos dias atuais, há paises que não desistem de lançar toneladas de gases poluidores da atmosfera e detritos industriais que contaminam os rios, lagos e os oceanos, sob a justificativa do progresso e da necessidade de gerar empregos. Em verdade, com suas leis, esses países estão protegendo os grandes conglomerados empresariais que visam exclusivamente o lucro.
- Você tem razão, - atalhou Luciano, - ao lado da abundância, do supérfluo, falta o necessário à massa humana dos marginalizados na sociedade. Nela encontramos a carência, a doença, a falta de habitação, a escassez de vestuário, a ausência de instrução e o trabalho humano. Essa massa contrasta com a minoria que detém o poder econômico. Tal é a situação em muitas partes do planeta, no chamado Terceiro Mundo. O Brasil também apresenta esse aspecto social, na periferia dos grandes centros urbanos e nas regiões socioeconômicas menos desenvolvidas.
- Então a escassez não está na Natureza? Interrogou Lúcia.
- Se você me permite, Lúcia, eu penso que embora a civilização amplie as necessidades, ela também aumenta as fontes de trabalho e os meios de viver. A Ciência e a Tecnologia vêm aumentando progressivamente a produção dos bens e à medida que se aplique a justiça social a ninguém faltará o necessário.
- É mesmo, Darci, você como economista e espírita estuda e entende muito bem esse assunto.
- Darci tem razão, - aditou Luciano. Esclarece o Espiritismo que para todos há um lugar ao sol, mas com a condição de que cada um ocupe o seu lugar e não o dos outros.
A Natureza não pode ser responsável pelos defeitos da organização social, nem pelos efeitos da ambição e do egoísmo.
Finalizemos com a afirmação dos Mentores Espirituais: “O uso dos bens da terra é um direito de todos. Esse direito é conseqüente da necessidade de viver. “ (Questão nº 711 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec )
A preservação e o uso dos bens da Terra são direitos de todos os homens, conforme os princípios mais avançados da Justiça e do Amor, que já começam a ser consagrados em leis e já eram expressos pela Doutrina Espírita.
Na consolidação e aplicação desses direitos estejam atentas as forças do bem e a elas ofereçamos as nossas possibilidades de atuação.
- Puxa, depois dessa, Luciano, vamos ficar por aqui, pois há muito o que pensar e uma vastidão para agir.
-  Assim seja, - disse Luciano – sorrindo e encerrando a reunião.

Aylton Paiva

Aylton Paiva é estudioso da Doutrina Espírita para sua aplicação na pessoa e na sociedade (www.ayltonpaiva.blogspot.com).

Calma a boa conselheira



Fui visitar um amigo.
Ao início de nossa conversa constatei que ele estava impaciente e irritado com pessoas e situações de forma generalizada.
Ensaiei algumas frases pelas quais pudesse levar-lhe a algumas reflexões, encarando pessoas difíceis e situações desagradáveis como lições que precisamos aprender a resolver e que isso dependia de um posicionamento mental paciente e eficiente para solucionar dificuldades.
A algumas ponderações ele aquiesceu, com relação a outras permaneceu em seu posicionamento inicial de que a paciência e a bondade não resolvem os problemas.
Passamos a conversar sobre coisas triviais, pois não era o meu interesse, no momento, estar “doutrinando” pessoas.
Voltei para casa.
Não pude me furtar em retornar a algumas associações de ideias com o ocorrido e entre elas a dificuldade emocional, sentimental e intelectual que uma pessoa experimenta quando se mantém nessa perspectiva de análise da vida.
Neste ponto, relembrei algumas reflexões que fiz, oportunamente, e que se encontram em livro lançado (1):
“Dizem os dicionários que a paciência é o estado de perseverança tranquila”. Portanto, diante de situações adversas e aflitivas é indispensável manter o equilíbrio emocional e agir ou reagir com serenidade.
Você deve, então, esforçar-se para desenvolver o autodomínio ou autocontrole.
Como agir diante dos pequenos problemas que o afetam todos os dias?
Como conseguir o equilíbrio emocional junto a familiares, chefes ou subordinados que, por exemplo, recusam-se a assumir seus deveres e, ao se omitir ou transferir tarefas, indevidamente o sobrecarregam?
O primeiro passo é a compreensão. Compreender o que está acontecendo. Perceber o que querem as pessoas e porque agem daquela maneira. Se estão desequilibradas, se são inexperiente ou se têm má intenção.
O segundo passo é manter o sentido de realidade. Não exagerar o que está acontecendo, apavorando-se. Julgar com serenidade para saber o que fazer.
O terceiro passo é agir. Movimentar providências e recursos para resolver o problema. Nessa fase, é fundamental o entendimento através do diálogo. Conversar claramente sobre a questão surgida para esclarecer como você deve agir junto para a necessária solução.
As conclusões tiradas dos diálogos devem ser bem definidas, memorizadas ou até escritas para depois serem avaliadas, a fim de se saber se todos estão cumprindo sua parte no estabelecido.
Assim, você não terá no lar, no serviço ou no grupo uma falsa harmonia, construída sobre o injusto sacrifício.
Para ajudar na compreensão mais ampla sobre a importância da paciência, trazemos de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, o seguinte trecho da mensagem de um espírito: “Sede pacientes. A paciência também é uma caridade e deveis praticar a lei de caridade ensinada pelo Cristo, enviado de Deus. A caridade que consiste na esmola dada aos pobres é a mais fácil de todas. Outras há, porém, muito mais penosas e, conseguintemente, muito mais meritórias” (1). E, nessa caridade, se enquadra o exercício adequado da paciência.

Aylton Paiva
Bibliografia:

(1) História e Recados do Mundo espiritual – Paiva, A. – Ed. Mythos Books

Aylton Paiva é estudioso da Doutrina Espírita para sua aplicação na pessoa e na sociedade (www.ayltonpaiva.blogspot.com).


A difícil liberdade



        Recebi de uma internauta e-mail no qual comenta minhas reflexões sobre: Libertar-se (publicado no Jornal Correio de Lins em 17/10/07).
        Assim ela escreve: “Gostei muito do seu texto. Libertar-se, achei muito interessante. Estava navegando em busca de algumas informações sobre o espiritismo, para tentar me compreender melhor, e achei seu texto. Acho que nada é achado por acaso. E no final escrevestes: “Suas idéias são idéias, podem ser verdadeiras ou não. Seus conceitos podem ser conceitos ou preconceitos. Aceitem que vocês podem cometer erros e, através deles, encontrar os acertos”. “Confesso que sinto dúvida em razão do libertar-se (pelo momento que vivo), pois não sei se o que eu penso (ou a maneira pela qual me comporto ou quero me comportar) decorre de um conceito ou preconceito. Eis a questão.”
        A dúvida apresentada não é apenas dela, mas, acho, que de todos nós.
        Em certas situações ficamos em saber, com muita clareza, o que fazer ou como agir.
        No prosseguimento de nossas trocas de informações, coloquei-lhe que o tema, de fato, é complexo, no entanto o Mestre Jesus deixou-nos alguns parâmetros.
        Afirmou ele: “Ame o próximo com a si mesmo “ e “ Não faça ao próximo o que não gostaria que se lhe fizesse“.
        Por essas orientações concluímos que ao pensarmos ou agirmos, no exercício de nossa liberdade, deveremos refletir se o que pensamos em fazer ou nos comportar relativamente ao outro, vai prejudicá-lo ou não. Se o que vamos fazer, gostaríamos que o outro fizesse conosco, ou não.
        Com esse balizamento dificilmente agiremos em detrimento do nosso semelhante e teremos uma clareza de entendimento em como usar a nossa liberdade, libertando-nos de preconceitos, com manifestações do orgulho e do egoísmo.
        Também a Doutrina Espírita, em sua obra fundamental: O Livro dos Espíritos orienta-nos no exercício da liberdade: “Em que condições poderia o homem gozar de absoluta liberdade?
-          Na dos eremitas no deserto. Desde que juntos estejam dois homens, há entre eles direitos recíprocos que lhe cumprem respeitar; não mais, portanto, qualquer deles goza de liberdade absoluta.” ( Questão nº 826 )
Assim, para o Espiritismo, o homem não goza de absoluta liberdade quando vivendo em sociedade, porque uns precisam dos outros.
Precisamos desenvolver a capacidade de pensar, pois é através dela que poderemos conhecer-nos e o mundo em que vivemos.
Pelo pensamento desfrutamos de liberdade ilimitada, o que deverá ajudar-nos nesse conhecimento. Esse entendimento deve amparar-nos a ação no sentido de, através da liberdade, desenvolvermos a fraternidade, a igualdade, a justiça e o amor.
A liberdade de consciência é uma característica da civilização em seu mais avançado estágio de progresso, já assinalava O Livro dos Espíritos (1857) e, hoje, essa liberdade está consagrada na Declaração dos Direitos Humanos, na própria Constituição da República Federativa do Brasil e na dos países mais avançados no respeito aos direitos humanos.
Temos, porém, a considerar que uma sociedade para manter o equilíbrio, a harmonia, e o bem-estar precisa estabelecer normas, leis e regulamentos asseguradores do direito coletivo, para não serem prejudicados pelos interesses pessoais egoísticos.
Esse entendimento de liberdade deve levar-nos à ação para implantar o bem em nós mesmos e na sociedade em que vivemos a fim que o mal gradativamente desapareça. Para isso devemos atuar conscientemente, com amor e determinação.

Aylton Paiva

Aylton Paiva é estudioso da Doutrina Espírita para sua aplicação na pessoa e na sociedade (www.ayltonpaiva.blogspot.com).




A convivência adequada


Conversava com o amigo Guilherme quando ele comentou sobre a dificuldade da convivência, a começar com os próprios familiares.


Disse-lhe: ontem li uma página muito interessante escrita pelo espírita e psicólogo Adenauer Novaes sobre o assunto e estou com o livro aqui, vamos dar uma lida?
- É interessante... até mesmo a coincidência.
- Adenauer comenta: “A vida a dois, por mais amor que exista, é sempre o desafio no qual a união harmônica deveria prevalecer no final. O encontro inicial se dá por vários fatores que fazem com que uma pessoa se relacione com outra. Para a manutenção da relação devem concorrer os seguintes requisitos: identidade de propósitos, amizade e atração sexual. Sem eles a relação corre o risco de ser tornar instável. Quando um deles falta, o casal deve tomar consciência disso e buscar juntos alternativas de solução.
Psicologicamente uma relação é a busca por um complemento que se realiza de forma arquetípica. São opostos que tentam se reconciliar no encontro amoroso, e assim o fazem para que a necessária coniuctionis ocorra, isto é, para que cada um integre em si o que projeta no outro e o que com ele apreende.
Cada um busca seu complemento, por esse motivo não deve esperar que pensem da mesma maneira ou que gostem das mesmas coisas. Querer a igualdade entre os dois é anular um deles. Não se deve pensar que, por serem diferentes, não possa a relação dar certo ou ser bem conduzida.
Um outro na vida de alguém deve levá-lo ao encontro consigo mesmo e à transformação de que necessita na vida. A união a dois deve levar ambos ao autoconhecimento, à descoberta de si mesmo, à transformação na vida social e à iluminação do Espírito”. (1)
Mais adiante, comentando a convivência no lar, ele prossegue:
“Podemos sonhar com um lar no qual gostaríamos de viver, com características ideais e que nos permitisse viver em paz e feliz. Porém, esse lar é sempre fruto da construção pessoal de cada um. Não é algo que recebemos gratuitamente, mas que construímos ao longo das vidas sucessivas do espírito que somos.
Pode-se pensar num lar onde haja discussões e preocupações, visto que são contingências naturais da vida em grupo. A vida, mesmo num ambiente de harmonia, exige que não se perca de vista o nível de evolução de cada pessoa e suas dificuldades íntimas.
Construamos um lar como um ambiente de paz e harmonia, mas constituído por pessoas que possam, momentaneamente, apresentar algum tipo de insatisfação ou angústia. Afinal de contas a Vida oferece desafios constantes, os quais nos cabe vencer e com eles aprender”. (2)
Não são interessantes as considerações que ele entretece sobre a compreensão e a divergência, o conflito e a paz; a busca da igualdade e a diferença?
- De fato, o entendimento e a paz nunca serão frutos da submissão e da mesmice, ponderou Guilherme.
- Sim! A liberdade de pensamento é um direito consagrado nas legislações avançadas e em O Livro dos Espíritos; nele encontramos a seguinte colocação, na questão nº 833: “No pensamento goza o homem de ilimitada liberdade, pois que não há como pôr-lhe peias. Pode-se-lhe deter o vôo, porém, não aniquilá-lo.” (3)
Por outro lado, em análise anterior assim os Mentores Espirituais também se manifestaram: “Não há liberdade absoluta, porque precisais uns dos outros, assim os pequenos como os grandes”. (Questão nº. 825)
Interpôs Guilherme:
- Então como encontrar o equilíbrio necessário?
- Nas insatisfações e conflitos vamos procurar exercitar os princípios da Justiça: reconhecer os direitos do outro e claramente delimitar os nossos.
- Belo desafio!
- Vamos enfrentá-lo?

Bibliografia:

(1) e (2) – O Evangelho e a Família, Adenauer Novaes, Ed. Fundação Lar Harmonia, págs. 57 e 58;

(3) – O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, Ed. FEB

Aylton Paiva é estudioso da Doutrina Espírita para sua aplicação na pessoa e na sociedade (www.ayltonpaiva.blogspot.com).


De novo: a menina e a bexiga


- É complicado esse “negócio de amar o próximo”, parece que são atos sempre de grande desprendimento... – disse Benjamim.
- Não, nem sempre. Manifesta-se, muitas vezes, em pequenas coisas... em gestos simples. Vou relatar-lhe um episódio que já descrevi, mas vale a pena relembrá-lo para ilustrar:
O homem descia as escadas do Banco, chegando à calçada observou que jovem senhora vinha em sentido contrário empurrando o carrinho com um bebê e uma menininha que segurava linda bexiga azul que recebia seu olhar de admiração e alegria.
O homem caminhava com passos firmes, mas a cabeça rodopiava com pagamentos de débitos, aplicações e outras questões financeiras.
Subitamente, o balão azul escapou das mãozinhas da menina e seu rostinho expressou o espanto e, imediatamente, a dor da perda. Desesperadamente se pôs a correr atrás da bexiga.
No afã de pegá-la, perdeu o equilíbrio e foi ao chão. Então as lágrimas da perda e da dor do impacto rolaram naquela facezinha angelical.
Olhava para o balão que se ia, surfando nas ondas do vento, e para a mãe que atenta e penalizada dizia-lhe.
- Machucou-se, filhinha?
Ante o aceno de cabeça negativo, a mãe procurou confortá-la.
- Não chore, meu amor. Mamãe comprará outra para você.
O olhar era desconsolado.
A bexiga flutuou diante do casal de hippies que a olhou como algo exótico e continuou na tranquilidade do “paz e amor”.
Flutuou, pelas asas do vento, diante de um grupo de jovens empoleirados em um banco.
Olharam para o balãozinho... olharam para a menininha e desataram a rir.
Pairou diante do pipoqueiro que a olho descompromissadamente, pois preocupado estava em entregar o saquinho de pipoca para a freguesa.
Olhei e vi. Atrás do balãozinho, livre e voando, vinha o senhor que saíra do Banco preocupado com as finanças.
Passos acelerados. Não correndo. Talvez por vergonha.
Na primeira tentativa de pescar a “bexiga azul”, nova lufada de vento afastou-a de suas mãos prestes a agarrá-la.
De novo, os empoleirados jovens no banco, desataram a rir. Um deles apontando a cena que deviam senti-la como hilária ou ridícula, gargalhava.
O circunspeto senhor não se deu por achado, acelerou mais os passos e eis que, num átimo, vupt! Pegou o azul sonho infantil.
O sorriso de satisfação iluminou seu semblante.
Passou pelos jovens do galho, isto é, do banco, que mais não riam.
Defrontou-se com o pipoqueiro que enchia outro saquinho de pipoca.
Fronteou o casal hippie que prosseguia enrolando os seus fios na elaboração do típico artesanato.
O homem só mirava a menina do balão azul e sua mãe, que, para melhor atender o bebê no carrinho, haviam parado.
Esticou mais o passo.
Chegou. Tocou de leve o ombro da menininha, em quem duas lágrimas deslizavam pela face.
O homem disse-lhe:
- Não chore meu bem. Pegue seu balão azul.
Ainda com as lágrimas na face, a menina sorriu.
- Filha! Ele pegou a sua bexiga. Não chore mais meu amor.
O homem sorriu, virou-se e prosseguiu em sua caminhada.
O amor, sob a forma de solidariedade, manifesta-se mesmo nas situações aparentemente mais simples.
Opõem-se ao egoísmo que se corporifica na indiferença, no pragmatismo do bem material, no individualismo histriônico.
O homem do Banco não arrefeceu diante deles, deu-lhes exemplo que deveria dar.
Desejei conhecer a essência daquele homem.
Uma voz ecoou no templo da minha consciência:
- “Amarás Deus de todo o coração, de toda tua alma... Amarás o teu próximo, como a ti mesmo. Toda a Lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos”. – Jesus. (Mateus, caps 37 a 40).
A menina seguiu feliz, segurando o balãozinho azul.
O homem do relato amou a menininha da bexiga!

Aylton Paiva é estudioso da Doutrina Espírita para sua aplicação na pessoa e na sociedade (www.ayltonpaiva.blogspot.com).

Obs.: Artigo publicado em 28/10/2011, no Jornal Correio de Lins

Missionários de Luz


“Só os Espíritos elevados desempenham missões?
- A importância das missões corresponde às capacidades e a elevação do Espírito. O Estafeta que leva um telegrama ao seu destinatário também desempenha uma perfeita missão, se bem que diversa da de um general.” (1)
André Luiz, médico que residira no Rio de Janeiro, deixa o seu corpo físico e, após um período de perturbação, é recebido na cidade espiritual denominada Nosso lar.
Inicialmente é acolhido como uma pessoa necessitada de tratamento e orientação para a adaptação de viver na nova dimensão da vida, para onde foi transferido após a morte do corpo físico.
Após o reequilíbrio mento-espiritual inicia-se em atividades laboristicas próprias daquele ambiente e, a seguir, começa fazer cursos teórico-práticos sobre as atividades daquele plano existencial e, também, sobre interação entre o mundo espiritual e o mundo físico.
Esse ponto de conexão entre os dois planos é o fenômeno estudado e nomeado por Allan Kardec de: mediunidade.
André Luiz é levado pelo instrutor Alexandre a um Centro Espírita, onde se realiza uma sessão mediúnica.
De início ele observa as providências e cautelas que os trabalhadores da espiritualidade, precisam tomar para que o fenômeno ocorra com segurança e tranquilidade.
Ao mesmo tempo um trabalhador do plano material realizava uma palestra que atingia as pessoas presentes e espíritos menos esclarecidos igualmente carentes daquela orientação.
Ainda estava imerso em suas observações e reflexões quando Alexandre esclareceu:
- Preliminarmente, devemos reconhecer que nos serviços mediúnicos preponderam os fatores morais. Nesse momento, o médium para ser fiel ao mandato superior, necessita clareza e serenidade, como o espelho cristalino dum lago.
De outro modo, as ondas de inquietude pertubariam a projeção de nossa espiritualidade sobre a materialidade terrena, como as águas revoltas não refletem as imagens sublimes do céu e da natureza. (2)
Em seguida, é informado sobre o mecanismo da psicografia.
Com orientação de Alexandre, ele estudará, de forma teórica e prática, os temas correlatos: a epífise, desenvolvimento mediúnico, vampirismo, a influenciação, a oração, o socorro espiritual, o plano dos sonhos, a mediunidade e especificamente a materialização.
Nesse mesmo curso-trabalho, sempre com as elucidações do Instrutor, André toma contato com os temas e as providências da espiritualidade relativamente à reencarnação.
Ao tratar da mediunidade de incorporação, mais propriamente denominada de psicofonia, aprenderá sobre a doutrinação, ou esclarecimento de espíritos ignorantes ou maldosos, e, também, sobre a obsessão, como forma doentia de envolvimento de um espírito perturbado ou perturbador com a pessoa por ele sintonizada.
No processo da cura espiritual receberá esclarecimentos sobre a transmissão das energias magneto-espirituais, no processo chamado de transmissão de passe.
Esses estudos são realizados com casos reais, verdadeiros dramas onde sentimentos e emoções permeiam, o tempo todo, a relação entre os espíritos e os encarnados.
É um estudo espiritualmente enriquecedor e nós poderemos acompanhar André Luiz nas páginas do seu relatório contido na obra Missionários da luz.
Após caminhar por essas páginas nosso entendimento sobre a mediunidade nunca mais será o mesmo.

Bibliografia:
(1)        O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, Ed. FEB, Questão nº 571
(2)        Missionários da Luz - André Luiz/F. C. Xavier – Ed. FEB.

Aylton Paiva é estudioso da Doutrina Espírita para sua aplicação na pessoa e na sociedade (www.ayltonpaiva.blogspot.com).
Obs.: Artigo publicado em 21/10/2011, no Jornal Correio de Lins

Casamento na atualidade



É inquestionável que a sociedade humana vem sofrendo grandes alterações na sua organização e funcionamento nos últimos anos.
Uma instituição que celeremente mudou a sua estrutura e dinâmica foi o casamento.
Aquele casamento em que o homem era o chefe da família e sua palavra dentro de casa era lei, a mulher a sua companheira para cuidar dos filhos e do lar, com total dependência econômica está a caminho do desaparecimento.
Então, a união de um homem e uma mulher não é mais importante?
O casamento deverá desaparecer do horizonte social?
Jesus, em uma de suas primeiras ações públicas privilegiou o casamento, no famoso episódio das Bodas de Caná (João, cap. 2, vers. 1 a 11). (1)
Allan Kardec indagou aos Mentores Espirituais:
- Será contrário à lei da Natureza o casamento, isto é, a união permanente de dois seres?
E ele foram peremptórios:
Seria um regresso à vista dos animais. (2)
Estas reflexões tomaram minha mente ao ler um artigo sobre esse tema, redigido por Roberta Faria, editora chefe da revista Sorria. (3)
De forma inesperada, ela diz, em sua primeira frase:
- “Quando eu me casei, descobri que tudo o que me disseram sobre uniões estava errado.
Primeiro engano: casamento não é consequência de um amor romântico. Embora tenha lá sua contribuição no começo da história, o sentimento explosivo dos livros e novelas vira é paixonite, caso, namoro.
Mas o que leva alguém a dividir a vida com outro alguém tem mais a ver com outro tipo de amor – o amor profundo e inesgotável da amizade.”
Em outro trecho, ela pondera:
- “Casamento, eu também descobri, não tem a ver com encontrar o par perfeito que se encaixa sem arestas. Na minha história, é sobre respeitar alguém diferente, o que exige negociações diárias e infinitas.”
Afirma mais adiante:
- “Casamento, eu sei agora, não tem a ver com paixão. Ou, pelo menos, não com o tipo que nos vendem, dessas cegas, que se põem acima de tudo. Na real, é o contrário.
Casamento – o meu, ao menos – vive é da admiração da verdade do outro. Enxergá-lo como é, e não como a gente desejaria que fosse. Sem filtros nem disfarces, sobe a luz da intimidade e da rotina.
Com todos os humores que oscilam, as falhas que temos, os nossos desacordos. E é exatamente por conhecê-lo tão bem, que posso admirá-lo por inteiro, e me encantar a cada descoberta.”
Por questão de espaço, pinço mais essa importante conclusão de Roberta:
- “Por fim, eu aprendi que casamento não é para sempre. É para agora. Não se trata de uma promessa única, mas de um compromisso que se renova a cada manhã, a cada surpresa, a cada briga, a cada reencontro.
A vida é cheia de encruzilhadas. E, a cada vez que encontramos uma, temos que decidir novamente se vamos continuar seguindo o mesmo caminho, lado a lado. Eu não me casei uma vez só. Eu me caso com o Artur todos os dias.”
E é só assim, esquecendo as ideias prontas, que acreditamos que o romance permanece, nos tornamos um par de verdade, a paixão supera a passagem do tempo e vamos passar o resto da vida juntos. Não é um conto de fadas.”
Concluímos do relato de Roberta que o casamento na atualidade ainda é necessário, mais que necessário é lindo, desde que pretendamos construí-lo ou mantê-lo com os ingredientes que ela apresentou: realidade, verdade, diálogo, respeito, gentileza, igualdade, admiração.
É uma construção permanente!

Bibliografia:
1 Novo Testamento;
2 O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, Ed. FEB;
3 Revista Sorria – Para Ser Feliz Agora, ed. 22, ano 4, Ed. MO – Renda para o GRAAC – Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer – e ao Instituto Airton Sena.

Aylton Paiva é estudioso da Doutrina Espírita para sua aplicação na pessoa e na sociedade (www.ayltonpaiva.blogspot.com).

Obs.: Artigo publicado em 14/10/2011, no Jornal Correio de Lins



Casamento na atualidade


É inquestionável que a sociedade humana vem sofrendo grandes alterações na sua organização e funcionamento nos últimos anos.
Uma instituição que celeremente mudou a sua estrutura e dinâmica foi o casamento.
Aquele casamento em que o homem era o chefe da família e sua palavra dentro de casa era lei, a mulher a sua companheira para cuidar dos filhos e do lar, com total dependência econômica está a caminho do desaparecimento.
Então, a união de um homem e uma mulher não é mais importante?
O casamento deverá desaparecer do horizonte social?
Jesus, em uma de suas primeiras ações públicas privilegiou o casamento, no famoso episódio das Bodas de Caná (João, cap. 2, vers. 1 a 11). (1)
Allan Kardec indagou aos Mentores Espirituais:
- Será contrário à lei da Natureza o casamento, isto é, a união permanente de dois seres?
E ele foram peremptórios:
Seria um regresso à vista dos animais. (2)
Estas reflexões tomaram minha mente ao ler um artigo sobre esse tema, redigido por Roberta Faria, editora chefe da revista Sorria. (3)
De forma inesperada, ela diz, em sua primeira frase:
- “Quando eu me casei, descobri que tudo o que me disseram sobre uniões estava errado.
Primeiro engano: casamento não é consequência de um amor romântico. Embora tenha lá sua contribuição no começo da história, o sentimento explosivo dos livros e novelas vira é paixonite, caso, namoro.
Mas o que leva alguém a dividir a vida com outro alguém tem mais a ver com outro tipo de amor – o amor profundo e inesgotável da amizade.”
Em outro trecho, ela pondera:
- “Casamento, eu também descobri, não tem a ver com encontrar o par perfeito que se encaixa sem arestas. Na minha história, é sobre respeitar alguém diferente, o que exige negociações diárias e infinitas.”
Afirma mais adiante:
- “Casamento, eu sei agora, não tem a ver com paixão. Ou, pelo menos, não com o tipo que nos vendem, dessas cegas, que se põem acima de tudo. Na real, é o contrário.
Casamento – o meu, ao menos – vive é da admiração da verdade do outro. Enxergá-lo como é, e não como a gente desejaria que fosse. Sem filtros nem disfarces, sobe a luz da intimidade e da rotina.
Com todos os humores que oscilam, as falhas que temos, os nossos desacordos. E é exatamente por conhecê-lo tão bem, que posso admirá-lo por inteiro, e me encantar a cada descoberta.”
Por questão de espaço, pinço mais essa importante conclusão de Roberta:
- “Por fim, eu aprendi que casamento não é para sempre. É para agora. Não se trata de uma promessa única, mas de um compromisso que se renova a cada manhã, a cada surpresa, a cada briga, a cada reencontro.
A vida é cheia de encruzilhadas. E, a cada vez que encontramos uma, temos que decidir novamente se vamos continuar seguindo o mesmo caminho, lado a lado. Eu não me casei uma vez só. Eu me caso com o Artur todos os dias.”
E é só assim, esquecendo as ideias prontas, que acreditamos que o romance permanece, nos tornamos um par de verdade, a paixão supera a passagem do tempo e vamos passar o resto da vida juntos. Não é um conto de fadas.”
Concluímos do relato de Roberta que o casamento na atualidade ainda é necessário, mais que necessário é lindo, desde que pretendamos construí-lo ou mantê-lo com os ingredientes que ela apresentou: realidade, verdade, diálogo, respeito, gentileza, igualdade, admiração.
É uma construção permanente!

Bibliografia:
1 Novo Testamento;
2 O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, Ed. FEB;
3 Revista Sorria – Para Ser Feliz Agora, ed. 22, ano 4, Ed. MO – Renda para o GRAAC – Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer – e ao Instituto Airton Sena.

Aylton Paiva é estudioso da Doutrina Espírita para sua aplicação na pessoa e na sociedade (www.ayltonpaiva.blogspot.com).

Obs.: Artigo publicado em 14/10/2011, no Jornal Correio de Lins