(Reflexão)
Embalado pelas
meditações sobre a vivência terrena, ele adormeceu. E viajando pelas veredas do
sono, o carrossel confortável do relaxamento físico lhe permitia vislumbrar
caminhos diferentes dos que estava acostumado a trilhar. Tudo estava bem, a
visualização que mentalizava lhe mostrava coisas prazerosas do conforto, do bem
estar que a vida lhe proporcionava. Trazia consigo a satisfação de ser aquilo
que sempre pretendera ser. Estava tranquilo consigo mesmo, tudo que realizara a
seu ver estava correto, se vangloriava por isto.
As coisas
aconteciam como inexplicável e maravilhoso deslumbramento, mas as condições de
vivência do momento lhe deixavam confuso, incerto, até que a situação lhe
colocou em questionamento diante de vigoroso e educado recepcionista, que lhe
perguntou: - Seu passaporte meu irmão? - Que passaporte é esse se não se
lembrava de embarcar em nenhum veiculo com destino certo ou mesmo ignorado? Foi
então que o recepcionista lhe informou: - Procure na bagagem da sua consciência,
e encontrará os registros indeléveis arquivados com carinho, e que lhe darão a
devida autorização para a livre locomoção às estâncias a que tiveres o direito
de transitar e viver. Mas suas bolsas estavam cheias, a fortuna lhe sorria, seus
cofres com muitas joias, seu prestigio social era incontestável... Indignado e
aborrecido com a ousadia de lhe pedirem um passaporte, questionou com voz
arrogante: - Porque me pedes um passaporte? Foi quando a resposta lhe chegou
através de um simples olhar meigo e carinhoso do recepcionista... Então ele
viu-se despojado de tudo, até mesmo de suas vestes valiosas que gostava de ostentar.
Sua memória retrocedia incontrolavelmente, com pensamentos e visualizações a
principio confusas, mas depois com incrível realidade: fora injusto com os
semelhantes em muitas situações, a ascendência material que tivera foi alicerçada
em prejuízo de muitas vítimas inofensivas e necessitadas, fora cruel, irresponsável,
desonesto, e bajulador daqueles que compartilhavam consigo a mesma ganância e sede
de poder. Assustado indagou: - Onde minha fortuna, onde meus defensores, onde
aqueles que promovi para que me ajudassem? Tudo em vão... Estava só diante de
tantos questionamentos. Então o recepcionista lhe informou: - A leitura de seu
passaporte lhe permite entrada e estadia no setor de recuperação, para que
possa compreender os desígnios Divinos reservados a todos que necessitam do
burilamento temporário e preparatório para novas etapas de vivências,
reparações, e provações adequadas, através de ásperas condições que permitam o
aperfeiçoamento do espírito. A partir dali ele prosseguiu caminhando desiludido
pela paisagem ressequida, solo estéril, com atmosfera pesada e sombria, e o ar sufocante
a dificultar-lhe a respiração... Em direção à comunidade que lhe acolheria até
a próxima etapa de experiências terrenas.
Foi então, que ele
pôde perceber a sua nova realidade: Estava em outro plano de vida. Fôra
surpreendido quando tudo lhe parecia estar de acordo com os seus desejos. A
atual circunstância mostrava-lhe a correspondência aos seus verdadeiros sentimentos,
que alimentava durante a vida terrena. Nesse momento bateu-lhe à porta da consciência...
O desespero ao pensar no recomeço, talvez mais difícil que a oportunidade de
progresso que não soubera aproveitar durante a vida que lhe foi concedida.
A doutrina espírita
sempre nos alerta de que as boas intenções, as boas ações, a pratica da caridade,
e a retidão de caráter é que vai nos permitir situar nas regiões espirituais
que aspiramos alcançar.
Nelson
Nascimento
e-mail: nelson.nascimento1@yahoo.com.br
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